sábado, 22 de dezembro de 2007

15 anos bem mordidos

Foram quase 16 anos da Tina de vez em quando mordendo a gente. Não sei quanto isso dá em anos humanos, mas sei que é muito.

Minha mãe sempre conta que o primeiro “oi” dela com a Tininha foi quando ela colocou a mãos nos filhotinhos recém-nascidos da Punky e então um deles mordeu ou tentou morder a mão dela. Era a Tininha. Nascida da primeira e única ninhada da Punky, a primeira dos muitos cachorros que passariam, ou nasceriam, na casa da minha mãe, a Tininha nasceu paulista, mas veio viver aqui, como gaúcha. E provavelmente, assim como meus irmãos, que são paulistas, e eu, que sou gaúcho mas morei até os 15 anos lá, deve ter ouvido muito por causa do sotaque. Talvez por isso que ela só se dava mesmo com a mãe dela, a Punky. Com os outros cachorros ela tinha uma convivência pacífica até começarem a se matar.

A Tininha era fogo, dava pau em todo mundo, nos outros cachorros e na gente. Ela era o único cachorro que não deixava minha mãe chegar perto da comida. A mãe acostumou a Tina depois de muito carinho, paciência e mordidas na mão.

Eu tenho uma marca dos dentes da Tina até hoje na altura da boca, onde não nasce bigode. Nunca fique com o rosto perto demais de um cachorro bravo quando se está brincando de sacaneá-lo. A mordida foi bem dada.

Ontem, às 16h, minha mãe me liga, chorando: “A Tininha morreu”. Era isso. Como minha mãe mesma falou depois, a “era Punky” acabou.

A Punky (que eu sempre escrevi com “y” e que todo mundo sempre escrevia sem o “y”) entrou nas nossas vidas perto do natal de 1989 e se foi há dois anos. A Tininha nasceu quando a Punky tinha três anos e morreu ontem, e até os últimos dias ainda mordia bem. Do natal de 1989 ao natal de 2007. Foram 18 anos da “era Punky-Tininha”.

Ainda há inúmeros cachorros morando com a minha mãe: a Pipa (filhote da Princesa, que também já morreu), que é um urso pequeno e coloca a pata no braço da gente exatamente como a mãe dela fazia, parece um cumprimento carinhoso, e deve ser; a Feiosa (é esse o nome dela, e é assim porque ela é feia mesmo, parece o Ajudante de Papai-Noel do Bart, só que branca e com os pêlos desgrenhados); o Véio (o vira-latas capa-preta), as irmãs Cléu e Luna (as mais novas); a Bolinha, pequena e gorda, que é mãe da Minie; tem também a Amarelinha, que eu nunca sei se é esse o nome dela; e tinha o Feio (porque era feio), que se foi há uns dois meses; a Pepê, máquina de latir, que veio morar com a gente aqui no apê, adotada pela minha irmã. Devo ter esquecido de algum, eu sou o mais afastado dos três irmãos.

Sempre haverá cachorros na casa da minha mãe. Mas a Punky e a Tininha tinham aquela coisa de serem as primeiras, e mãe e filha, ainda por cima. Eu sou ateu, mas gosto de pensar que nesse exato momento a Punky está deitada em algum paraíso dos cachorros, com muita comida, doces e água ao redor, bem preguiçosa (há comida à vontade no céu dos cachorros). E a Tininha, pequena e brava, está mordendo os pés de alguém embaixo de uma mesa de cozinha, exatamente como ela fez nos últimos 15 anos, na cozinha da minha mãe.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Gilberto Verardi

Gilberto Verardi, nascido em 13 de março de 1945, é um dos mais antigos locutores de notícias ainda em atividade. Trabalhou em diversas rádios, número que não sabe ao certo porque nunca parou para contar, mas diz que nunca teve o sonho de ser radialista, era apenas um trabalho que gostava e sabia fazer bem. Seu começo primeiro contato com o rádio foi em 1960, quando “o Adroaldo Streck me botou na cabeça esse negócio derádio” ao levá-lo, aos 16 anos, para conhecer os estúdios da Rádio Guaíba em Porto Alegre. Foi neste momento que Verardi, que sempre gostou de ouvir rádio, começou a se interessar pelo assunto. Mas o começo a frente dos microfones foi em 1962, quando recém chegado em Londrina, soube que um vizinho que trabalhava com rádio estava deixando o emprego. Fez um teste e estreou na Rádio Paiquerê.

Leia a matéria na íntegra clicando aqui.

O começo no rádio

Vídeo originalmente publicado aqui.

O primeiro teste

Vídeo originalmente publicado aqui.

Muitos trabalhos

Vídeo originalmente publicado aqui.

Narração ficcional

Vídeo originalmente publicado aqui.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

A dura jornada na tentativa de descadastramento da newsletter do Ponto Frio

Há alguns anos eu fiz uma compra no Ponto Frio, pela internet. Era um microondas e eu só comprei ali porque era realmente muito mais barato que nos outros lugares. Mas eu não queria comprar, porque quando eu tinha 18 anos, era cabeludo e usava camiseta dos Ratos de Porão, comprei um walkman na loja do Ponto Frio do centro. Era uma sexta-feira, comprei pilhas e fui viajar. No ônibus, em menos de 30 minutos de uso, uma das peças do walkman se soltou. Passei o final de semana sem ouvir música. Na segunda-feira fui lá trocar o aparelho. O gerente me atendeu muito mal, provavelmente porque eu era cabeludo e usava camiseta dos Ratos de Porão. Pois bem, decidi ali nunca mais comprar nas lojas do Ponto Frio, ninguém manda serem mal-educados. Não que a loja fosse à falência por minha causa, mas era o meu protesto. E me mantive fiel até o dia da compra pela internet do microondas. E dali por diante passei a receber e-mails quase que diários de promoções, etc. Não me importava. Mas há duas semanas resolvi sair de todas as listas da qual fazia parte. O Buscapé me removeu sem problemas. A Abril também, assim como as outras. Mas o Ponto Frio, revivendo a má-educação do gerente, agora na forma virtual e, por isso mesmo, pior, resolveu criar problema. No e-mail deles existe um link do tipo “não quer mais receber clique aqui”. Cliquei. Abriu a página. Num campo pediram meu nome, no outro o meu e-mail. Digitei e cliquei em “quero sair da lista”. Fui pra outra página me pedindo para novamente clicar em “quero sair”. Cliquei. Recebi uma mensagem dizendo que eu já estava descadastrado e que em 72 horas deixaria de receber e-mails. Achei tempo demais, mas ok, sem problemas. Três dias depois continuei a receber e-mails. Clique novamente no link “se não quiser mais receber...”. Fiz tudo de novo. A resposta foi que meu e-mail não mais constava da lista. Engraçado, não estava mais na lista, mas continuava a receber os indesejáveis e-mails. Cliquei agora em “se precisar falar conosco clique aqui”. Lá na página me pediam para colocar meu nome, e-mail e estado. Digitei os dados e então escrevi no campo “quero sair da lista”, em caixa alta e umas dez vezes (copiei e colei, na verdade). Eu estava nervoso. Só podia ser aquele gerente pé-rapado me mandando os e-mails. No dia seguinte recebo uma mensagem do tipo “não responda a este e-mail”. Pediam e-mail, motivo e CPF. Estranho pedir meu e-mail DE NOVO. Motivo? Não interessa, quero sair e pronto, o não-fornecimento de um motivo não pode ser impedimento para a exclusão do meu e-mail. Melhor: quer um motivo? Coloca aí “de mudança para a lua”. Mas o que me deixou mais puto foi essa de pedirem CPF. Como é que é? Não sabia dessa. Quer dizer que agora eu tenho que mandar meu CPF pra ser descadastrado da porra da lista? Sem essa. Não vou mandar mesmo meu CPF. Fui lá na página do “fale conosco” e mandei nova mensagem. Recebi a mesma resposta, mas eles resolveram trocar a informação “motivo” por “nome completo”. Mas o CPF continuava sendo solicitado. Todas as listas no mundo aceitam uma simples resposta do tipo “excluir” e pronto, chega de e-mails. Mas claro que o Ponto Frio iria complicar minha vida. A exemplo do gerente mal-educado de 13 anos atrás, o sistema deles é igualmente mal-educado. Te fazem clicar em duas páginas para se descadastrar, dizem que teu e-mail está fora da lista mas continuam a te mandar as malditas propagandas. Aí você vai lá e reclama, eles te mandam um mail do tipo “não responda” te pedindo o CPF. “Vamos cansar o cliente daí ele desiste e continua a receber nossas propagandas”. Continuo a receber os e-mails. Um por dia. Mas não deleto. Hoje mandei outro pedido de exclusão da lista, lembrando ao gerentezinho eletrônico que o sistema deles informa que meu e-mail já foi descadastrado, ou seja, eu já não deveria mais receber os indesejáveis e-mails. Acho que agora eles irão finalmente me excluir da lista. Se isso não acontecer eu provavelmente irei a um juizado de pequenas causas, algo assim. Como eu disse, não deleto os e-mails deles. De qualquer forma, nunca mais irei comprar nesta loja. Vou nas Casas Bahia, Colombo, BIG, Manlec, tanto faz, menos o Ponto Frio. E inicio minha campanha “compre no concorrente do Ponto Frio”. Talvez um dia chegue a ter o dia do “compre no concorrente do Ponto Frio”, com todo mundo mandando e-mails, notícia no Jornal Nacional, todo mundo comprando nas outras lojas e o Ponto Frio amargurando um prejuízo enorme. Tá, provavelmente não. Mas fica aqui o meu protesto. Não compro mais no Ponto Frio. Ponto. Final.